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quinta-feira, 17 de maio de 2012

O Santos Como Exemplo


Na segunda-feira passada, vendo o Linha de Passe na ESPN Brasil, durante a análise dos integrantes sobre as finais do Paulista serem jogadas todas no Morumbi, o que prejudicaria a torcida dos dois times, ambos do interior.
Na discussão, PVC disse que haveria problema para ambos, claro, mas menor para o Santos, pois, nos últimos 15 anos a torcida do time praiano sofreu um considerável aumento no número de torcedores, fruto direto dos títulos que eles conquistaram.
PVC destacou ainda a produção em série de craques e de ídolos, cujo expoente mais evidente é Neymar.
E o que isso tem a ver com o Galo?
Tem a ver que a base do Santos já lançou Diego e Robinho, e mais recentemente, PH Ganso e Neymar, que hoje é o mais badalado jogador brasileiro, comparado a Pelé, a Maradona, Messi, Superior a Zico, Tostão, Reinaldo, e por aí vai.
Enquanto isso, a base do Galo revelou: Tchô, Rafael Miranda, Renan Oliveira, Renan Ribeiro, Edson, Bruno (goleiros), e por aí vai...
A base do Santos, que eu me recorde, não venceu, não conquistou, ou mesmo, não teve nenhum desempenho notável em qualquer torneio de base.
Já a base do Galo se vangloria de ser campeão de sem número de torneios disputados.
Hoje o Santos é conhecido mundialmente, tem os melhores jogadores do país em seu plantel, conquistou o tricampeonato estadual com poucas críticas ao rendimento, além de um Brasileiro, uma Copa do Brasil e uma Libertadores, isso em menos de 10 anos. E hoje segue firme rumo a outro brasileiro (é indicado por 10 entre 10 comentaristas e jornalistas esportivos) e a outra Libertadores.
Enquanto isso, o Galo foi rebaixado em 2005, lutou para não ser rebaixado em 2004, 2006, 2007, 2008, 2010 e 2011. Conquistou três títulos estaduais (2007, 2010 e 2012), foi eliminado precocemente em todas as edições da Copa do Brasil que disputou de 2004 pra cá, por times inexpressivos. E ainda vendeu barato a única revelação da base que tinha qualidade: o goleiro Diego Alves. As outras revelações, ou foram embora por critérios técnicos, ou saíram por problemas técnicos e se tornaram ídolos em seus novos clubes, casos de Tiago Feltri (pasmem!) e Éder Luís, ambos no Vasco.
Perceberam a diferença?
Enquanto no Santos o time profissional é coalhado da meninada que foi treinada para serem bons atletas, no Galo, os meninos da base entram como se fossem a salvação da lavoura, não rendem, são cobrados pela torcida (que faz só o seu papel), e são afastados pelo técnico, para não sofrerem pressão, garantir o resultado e salvar seus empregos.
Perceberam a diferença? E nem precisei de ir no exemplo do Barcelona, que garimpa talentos ao redor do mundo...
Muricy Ramalho, discípulo de Telê Santana, repetiu o que este disse certa vez: base é para formar jogador, não para ganhar títulos. Ele, inclusive, já devolveu jogadores para a base, para que aprendessem, ou melhorassem, fundamentos!
Aqui, pelo visto, não.
Os bons jogadores da base atleticana não chegam no profissional já devidamente preparados para enfrentar o tormento que é jogar em alto nível.
Resultado: se escondem, se encolhem, e junto com ele o seu próprio futebol.
Não quero dizer que o Santos é o melhor em tudo. Longe disso, pois o time profissional, que tem em Neymar seu maior expoente, possui falhas graves, especialmente no sistema defensivo, e se torna um time comum quando Neymar e Ganso não jogam.
Mas o que serve de exemplo é que, aparentemente, pelo menos para quem está aqui em BH e não acompanha o dia a dia do Santos, em todas as suas categorias, é que a base lá tem cara  de departamento de criação: criação de craques, de, no mínimo, bons e confiáveis jogadores, que são preparados não só física e tecnicamente, mas também intelectualmente, para que possam chegar no profissional e se firmar, fazendo que sabem fazer, trazendo os títulos que são desejados por todo torcedor, e aqui parece que isso não acontece.
Muitos podem não concordar comigo, o que legítimo e justo, e até mesmo verdadeiro. Mas este post é resultado de um momento de reflexão sobre o que disse PVC no Linha de Passe em comparação com esse frenesi e ansiedade causado pela diretoria do CAM em seus torcedores na busca frenética, muitas vezes dispendiosa e mal sucedida, de jogadores e reforços.
De toda forma, hoje, a forma como a base do Galo é trabalhada pode, no mínimo, ser repensada.