Na segunda-feira passada, vendo o Linha de Passe na ESPN Brasil,
durante a análise dos integrantes sobre as finais do Paulista serem jogadas
todas no Morumbi, o que prejudicaria a torcida dos dois times, ambos do
interior.
Na discussão, PVC disse que haveria problema para ambos,
claro, mas menor para o Santos, pois, nos últimos 15 anos a torcida do time praiano
sofreu um considerável aumento no número de torcedores, fruto direto dos
títulos que eles conquistaram.
PVC destacou ainda a produção em série de craques e de
ídolos, cujo expoente mais evidente é Neymar.
E o que isso tem a ver com o Galo?
Tem a ver que a base do Santos já lançou Diego e Robinho, e
mais recentemente, PH Ganso e Neymar, que hoje é o mais badalado jogador
brasileiro, comparado a Pelé, a Maradona, Messi, Superior a Zico, Tostão,
Reinaldo, e por aí vai.
Enquanto isso, a base do Galo revelou: Tchô, Rafael Miranda,
Renan Oliveira, Renan Ribeiro, Edson, Bruno (goleiros), e por aí vai...
A base do Santos, que eu me recorde, não venceu, não
conquistou, ou mesmo, não teve nenhum desempenho notável em qualquer torneio de
base.
Já a base do Galo se vangloria de ser campeão de sem número
de torneios disputados.
Hoje o Santos é conhecido mundialmente, tem os melhores
jogadores do país em seu plantel, conquistou o tricampeonato estadual com
poucas críticas ao rendimento, além de um Brasileiro, uma Copa do Brasil e uma
Libertadores, isso em menos de 10 anos. E hoje segue firme rumo a outro
brasileiro (é indicado por 10 entre 10 comentaristas e jornalistas esportivos)
e a outra Libertadores.
Enquanto isso, o Galo foi rebaixado em 2005, lutou para não
ser rebaixado em 2004, 2006, 2007, 2008, 2010 e 2011. Conquistou três títulos
estaduais (2007, 2010 e 2012), foi eliminado precocemente em todas as edições
da Copa do Brasil que disputou de 2004 pra cá, por times inexpressivos. E ainda
vendeu barato a única revelação da base que tinha qualidade: o goleiro Diego
Alves. As outras revelações, ou foram embora por critérios técnicos, ou saíram
por problemas técnicos e se tornaram ídolos em seus novos clubes, casos de
Tiago Feltri (pasmem!) e Éder Luís, ambos no Vasco.
Perceberam a diferença?
Enquanto no Santos o time profissional é coalhado da
meninada que foi treinada para serem bons atletas, no Galo, os meninos da base
entram como se fossem a salvação da lavoura, não rendem, são cobrados pela
torcida (que faz só o seu papel), e são afastados pelo técnico, para não sofrerem
pressão, garantir o resultado e salvar seus empregos.
Perceberam a diferença? E nem precisei de ir no exemplo do
Barcelona, que garimpa talentos ao redor do mundo...
Muricy Ramalho, discípulo de Telê Santana, repetiu o que este
disse certa vez: base é para formar jogador, não para ganhar títulos. Ele,
inclusive, já devolveu jogadores para a base, para que aprendessem, ou
melhorassem, fundamentos!
Aqui, pelo visto, não.
Os bons jogadores da base atleticana não chegam no
profissional já devidamente preparados para enfrentar o tormento que é jogar em
alto nível.
Resultado: se escondem, se encolhem, e junto com ele o seu
próprio futebol.
Não quero dizer que o Santos é o melhor em tudo. Longe
disso, pois o time profissional, que tem em Neymar seu maior expoente, possui
falhas graves, especialmente no sistema defensivo, e se torna um time comum
quando Neymar e Ganso não jogam.
Mas o que serve de exemplo é que, aparentemente, pelo menos
para quem está aqui em BH e não acompanha o dia a dia do Santos, em todas as
suas categorias, é que a base lá tem cara
de departamento de criação: criação de craques, de, no mínimo, bons e
confiáveis jogadores, que são preparados não só física e tecnicamente, mas
também intelectualmente, para que possam chegar no profissional e se firmar, fazendo
que sabem fazer, trazendo os títulos que são desejados por todo torcedor, e aqui
parece que isso não acontece.
Muitos podem não concordar comigo, o que legítimo e justo, e
até mesmo verdadeiro. Mas este post é resultado de um momento de reflexão sobre
o que disse PVC no Linha de Passe em comparação com esse frenesi e ansiedade
causado pela diretoria do CAM em seus torcedores na busca frenética, muitas
vezes dispendiosa e mal sucedida, de jogadores e reforços.
De toda forma, hoje, a forma como a base do Galo é
trabalhada pode, no mínimo, ser repensada.